Estudantes de Educação Física recebem Atleta Paralímpico em Aula Magna

Ed-Fisica-Aula-Magna-1-1024x681.jpg

O atleta paralímpico de Rugby de Cadeira de Rodas, Luis Fernando Sper Cavalli, esteve na Faculdade de Jaguariúna no dia 6 de abril para participar da Aula Magna do curso de Educação Física.

A atividade foi realizada no anfiteatro do campus II reunindo alunos, docentes e autoridade da instituição e teve o intuito de apresentar de uma forma geral aos futuros profissionais a modalidade e discutir sobre a inclusão no país. “O esporte paralímpico no Brasil ou a própria inclusão ainda precisa de muita visibilidade, então vejo o esporte paralímpico e os adaptados como carro chefe da inclusão atualmente. Conversar com um público de futuros educadores vejo como bastante importante porque serão multiplicadores dessa necessidade de transmitir para a sociedade de maneira geral a importância da prática esportiva também para deficientes”, explicou o palestrante.

O atleta adquiriu a deficiência em um acidente de trânsito em 2004, no Anel Viário José Roberto Magalhães Teixeira (SP-083) na altura de Valinhos (SP). O atleta perdeu o controle do volante e o veículo rodopiou na pista resultando na lesão medular (tetraplegia, nível C7, ASIA A) de Luis Fernando que além de jogador é Oficial Reformado Aposentado da Polícia Militar do Estado de São Paulo e Educador Físico formado pela Escola de Educação Física da Polícia Militar, primeira faculdade do país que teve em sua grade de cursos a graduação em Educação Física.

A palestra teve como tema principal o Rugby em Cadeira de Rodas, modalidade paraolímpica que o Luis joga desde 2008. “Pratico esportes desde a minha adolescência mesmo antes de ter adquirido a deficiência e após o acidente busquei alternativas de esportes adaptados conhecendo uma série de modalidades e acabei me identificando com o Rugby em Cadeira de Rodas”, contou o palestrante.

Os estudantes puderam atualizar a utilização de termos usados para identificação de lesões. Qualquer acidente medular na altura do pescoço é denominada como tetraplegia, antes era usado a palavra paresia, mas segundo o jogador o termo está caindo em desuso. A Paraplegia é para lesões abaixo do pescoço independente do nível de comprometimento já que pode variar de pessoa para pessoa e de lesão para lesão.

Em seu processo de recuperação, Luis frequentou o Instituto da Rede Sarah que atua na área de medicina de reabilitação, e no local teve contato com outros esportes, como barco a vela, canoagem e competiu na modalidade tênis de mesa, segundo o jogador, esse convívio com os demais tipos esportivos foi enriquecedor, pois praticou modalidades que antes do acidente nem pensava em praticar.

Outra abordagem no decorrer da palestra foi o preconceito da sociedade com os cadeirantes, sanando a dúvida de um aluno que o questionou sobre o assunto, Luis considera que há dois tipo de julgamentos: O preconceito de achar que a pessoa com deficiência não é auto suficiente fazendo as pessoas a sua volta a dar tudo nas mãos pensando que dessa forma está minimizando a incapacidade. E o outro tipo de exclusão é não convidar o cadeirante para participar de algumas atividades pensando na adaptação que o ambiente será obrigado a pensar para atender as necessidades da pessoa. “O preconceito é algo necessário para gente sobreviver agora o preconceito negativo eu confesso que nunca senti nada muito sério. Sei que às vezes tem o  preconceito negativo tanto de querer encobrir qualquer dificuldade minha quanto para me auxiliar demais, principalmente as pessoas que gostam de mim.  Às vezes tenho ate que me posicionar de uma maneira que eu sei que é um pouco dura. Então tem preconceito dos dois lados tanto de criar barreiras  quanto o preconceito de ajudar demais”, disse Luis.

A aluna Gabriela participou da atividade perguntando ao atleta como foi sua aceitação da deficiência. O palestrante contou aos alunos que não sofreu tanto por ter pessoas ao seu lado que ofereceram total apoio e sua rotina não foi alterada. “Não está relacionado só a o que você perdeu, mas como você perdeu. Tem pessoas que sofrem demais porque perdeu o emprego ou porque bateram o carro, mas perder o controle do corpo mais precisamente a parte dos movimentos é algo que muda bastante a vida então fácil de fato não foi, mas posso dizer Gabriela que me sinto privilegiado porque não tive nenhum momento de pausa na minha vida, fiquei 18 dias no hospital e três dias depois que recebi alta no hospital eu estava no mercado com a minha esposa comprando os ovos de páscoa para os meus dois filhos”, relatou e concluiu que a deficiência não atinge somente a pessoa acidentada, mas todas as pessoas próximas. “Tenho amigos que passaram anos sem fazer nada então me considero privilegiado”.

O diretor acadêmico da Faculdade de Jaguariúna, Professor Flávio Fernandes Pacetta, deu início a palestra agradecendo o jogador pela presença na instituição. “É um honra recebermos para a Aula Magna o atleta paraolímpico, Luis Fernando, para falar sobre esse assunto importantíssimo. O palestrante mostrou que por mais impossibilitada que a pessoa possa estar tem capacidade de transformar sua vida com vigor e alcançar o sucesso profissional e pessoal”, frisou.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s